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18 de fevereiro de 2013

Resenha: Rurouni Kenshin #1 - Editora JBC

O relançamento de um dos mangás mais queridos pelos brasileiros

Onze anos após a publicação do primeiro volume de Samurai X no Brasil, em uma época onde o mercado de mangás ainda era bem tímido por aqui e o formato 1/2 tanko era muito comum, a editora JBC republica a obra em uma versão prometida como caprichada para os fãs de Battousai e cia.

Como ninguém é obrigado a conhecer a obra por mais que ela tenha sido disseminada via mangá e anime no Brasil, Rurouni Kenshin segue a vida de Kenshin Himura, um ex-retalhador que matava sem dó nem piedade buscando extinguir o shogunato. A história se passa nos anos iniciais da era Meiji.

Agora, com o fim do regime do qual ajudou a derrubar, Kenshin busca viver pacificamente e decidido a nunca mais matar, mas figuras do seu passado e até novos inimigos farão o agora andarilho a brandar mais algumas vezes a sua sakabatou.

Rurouni Kenshin foi publicado na antologia Shonen Jump semanalmente entre 1994 e 1999.
A nova edição do mangá terá no total 28 edições. A editora JBC lança novos volumes mensalmente ao preço de R$13,90 e foram feitas revisões no texto da obra, já que a primeira versão foi fortemente influenciada pela adaptação da série de tv.



De cara percebemos essas mudanças quando Kenshin solta seus característicos "Oro???" ao longo das páginas, quando lhe ocorrem situações que parece não compreender. Uma espécie de "hã?".

Também temos o seu "este servo" quando o andarilho ex-battousai refere-se a si em diálogos com outros personagens.

O volume 1 tem aproximadamente 200 páginas e além dos seis primeiros capítulos da obra traz também o one-shot publicado um ano antes da serialização da obra oficial no Japão.

Interessante observar que mesmo sendo uma obra da Shonen Jump, o mangá não trouxe o selo da revista em sua capa, apenas na folha de apresentação dentro do mangá, o que deixou a capa menos poluída. Ponto positivo.



Agora, um ponto negativo foi o fato da JBC não ter conseguido negociar as páginas coloridas do mangá para a nova edição. Para entender melhor, os encadernados japoneses da Shonen Jump só vem com páginas coloridas em ocasiões muito especiais, pois são exclusivas da revista semanal (um diferencial) e das edições definitivas.

Mas cá entre nós: nosso mercado não tem espaço para as luxuosas edições definitivas que os japas lançam. Vide Dragon Ball e Vagabond que foram canceladas quando foi feito o esforço pela Conrad há tempos atrás.

Culpa dos japoneses por travarem as páginas coloridas ou culpa da JBC por não ter poder de negociação para isso, o que importa é que ficou estranho tentar dar um acabamento todo especial para a nova edição - com direito até a papel offset - e ter que ler algumas páginas com as cores chapadas.

Falando em acabamento, a JBC errou em mais um ponto: os freetalks, as famosas conversas com o autor. A primeira edição não veio com esse mimo das edições encadernadas dos mangás. Provavelmente será publicado em um volume que tiver com uma cota de páginas sobrando.

O que eu me pergunto é: por que não publicar na contracapa? Mangás simples como Beelzebub e One Piece - que também são da Jump, mas no Brasil não são da JBC - tem isso, e olha que esses não são lançados de forma "caprichada" não. Provavelmente a explicação seria de que a inclusão geraria mais custos para o consumidor final etc. Aquela velha história.



Aliás, não é a apenas a ausência dos freetalks e páginas coloridas que incomoda. As contracapas de Rurouni Kenshin são vazias, não tem nada! Ainda bem que não inseriram um "edição especial" no mangá, porque olha, isso está longe de ser um material bem trabalhado e digno de destaque.

E se você pensa que os erros acabam aí está completamente enganado. A JBC ainda não aprendeu a fazer glossários nas suas obras, o que resulta em um bombardeio de notas de rodapé. Tudo bem que o título precisa de algumas observações rápidas, mas muita coisa pode ser inserida em um material de referência no final.

Um exemplo de que o bombardeio de notas é ruim está na página 56 da obra. SEIS notas explicando o texto do autor. Um espaço tão grande foi reservado para essas explicações que elas invadem a ilustração do autor na página!

Não, não acaba por aí. Agora falando de tradução, quando Kenshin e Kaoru encontram Yahiko pela primeira vez e são assaltados por ele, o menino é chamado de... trombadinha. Sim, trombadinha.

Um termo tão pejorativo e temporal que pode não ser reconhecido daqui a alguns anos. Por que não ladrão, assaltante, algo mais amplo? Sinceramente poderiam manter algumas partes da tradução antiga...

Que bom que a JBC não está cometendo os mesmos erros de sempre. A troca do editor-chefe realmente trouxe mudanças positiv… pera. 

Enfim, o mangá é bom. Só sofreu um pouquinho nas mãos da editora. A compra é válida, e só válida.

Arte: 9.2
História: 9.5

Versão da Editora:7.5


Notal Final: 8.7
Carlos Moncken

19, carioca, colaborador do Jbox e nas horas vagas estudante universitário.
Leia Mais sobre o autor

  1. Rurouni Kenshin é uma obra prima.

    Quanto as cíticas a editora achei meio pesadas. O manga ta com uma qualideda ótima. Mas concordo plenamente com a falta que um glossário faz numa obra dessas. Tem horas que tem notas demais, e algumas coisas mereciam uma explicação mais detalhada, esta é uma obra historico e algumas explicações para nos situarmos melhor ia ser muito bom.

    Mas no geral ta ótimo.

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  2. «De cara percebemos essas mudanças quando Kenshin solta seus característicos "Oro???" ao longo das páginas, quando lhe ocorrem situações que parece não compreender. Uma espécie de "hã?".

    Também temos o seu "este servo" quando o andarilho ex-battousai refere-se a si em diálogos com outros personagens.»

    Não entendi, ambas as expressões estavam contidas na versão 1/2 tanko.

    «Mas cá entre nós: nosso mercado não tem espaço para as luxuosas edições definitivas que os japas lançam.»

    Discordo. Sakura conta com várias páginas coloridas impressas em papel de qualidade superior. De modo semelhante ocorreu com GUMM e Chobits. Acredito que a Conrad não soube trabalhar com Dragon Ball kanzenban, vejamos.

    O mangá era bem recente e havia sido relançado uma 2ª edição. Já entre Sakura e Kenshin há um lapso de uma década, edições esgotadas etc. À época, R$19,90 era uma quantidade de dinheiro muito além do que os consumidores de mangás estavam acostumados a gastar por edição.

    Se eles não houvessem saturado o mercado com Dragon Ball, houvessem lançado a edição kanzenban em livraria, lançamento bimestral ou trimestral (o que ajudaria a reduzir o impacto no orçamento do publico consumidor), fazendo uma ampla divulgação em seu site (não havia rede social na época) e nas páginas de outras publicações da editora, talvez o resultado fosse outro.

    Não devemos nos esquecer que a edição kanzenban, especial ou definitiva, é material de colecionador, logo deve ser feito um estudo para saber qual tiragem deve ser feita p/ que os custos sejam cobertos e a editora tenha lucro, tudo de acordo com as possibilidades do mercado. É um erro achar que todos que compraram a edição de R$ 3,90 também comprariam a edição de R$19,90.

    Infelizmente esse relançamento da JBC enterrou de vez o kanzenban de Kenshin no Brasil.

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  3. Bem, ter páginas coloridas na revista Shounen Jump não significa que na versão Tankohon também as terá!, e o mangá é editado sobre a versão tankohon; onde são feitas revisões do autor.

    a adaptação para trombadinha está acessível para o publico alvo do mangá, mas ficou temporal, realmente se tivesse mudado para "ladrãozinho" ficaria melhor; e atemporal.

    e sim, a troca do editor chefe da jbc trouxe melhorias, uma delas é que começaram a plastificar os mangás, afim de preservá-los. se fosse para publicar em papel off-set, o custo do mangá aumentaria uns 40%, e estando mais caro, menos pessoas compram.

    quanto à panini, tem mangás a R$ 9,90 com páginas coloridas, 30% mais barato que os mangás atuais da jbc.

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    Respostas
    1. Então, minha crítica quanto as páginas coloridas foi porque não era uma simples versão tankobon, e sim uma edição "caprichada" em offset e tudo mais mesmo, e mesmo assim não as tivemos...

      Quanto a plastificação de mangás, isso só ocorre com Diário do Futuro e Another, que custa R$13,90 =(

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